sábado, 6 de janeiro de 2024

A primeira adoração


    Hoje, celebramos a Epifania do Senhor, e eu gostaria de fazer uma breve meditação sobre esta passagem do Evangelho. Quando os três reis magos viram a estrela que anunciava o nascimento do Rei dos reis, foram para a cidade de Jerusalém, mas não o encontraram lá, sendo assim partiram para Belém, seguindo a estrela que os guiavam, ao chegarem no local sob o qual a estrela havia parado, ali encontraram o menino, nos braços de sua mãe, e então se ajoelharam e adoraram o próprio Filho de Deus, logo após a adoração lhes entregaram aquilo que tinham de mais valioso, ouro, incenso e mirra. 


    Nesta passagem do Evangelho de Mateus contém muitos ensinamentos valiosos, porém quero me atentar apenas a um neste momento. Lendo o texto completo desta passagem, (Mt 2,1-12), podemos visualizar uma cena, os três reis magos chegando e vendo uma casa muito simples e sentiram uma “alegria muito grande”, e quando entraram viram uma mulher humilde segurando um pequeno e frágil bebê, o poderoso Deus, que, sabendo que não somos capazes de chegar até Ele, se fez pequenino para chegar até nós. Ao verem aquele pequenino menino, eles então se ajoelharam, demonstrando todo o devido respeito e o adoraram, mesmo sendo eles de outras culturas, mas ainda assim reconhecendo o Deus vivo, assim como diz o apóstolo Paulo em sua carta aos romanos, que diante do Senhor, todo joelho se dobrará e toda língua dará glória a Deus (Rm 14,11). Após a adoração entregaram os presentes que trouxeram para o menino Jesus.


    Neste momento, houve a primeira adoração à Jesus, nos braços de sua Mãe, que ali o segurava com muito amor, aqueles mesmos braços que seguraram o corpo de Jesus morto. Podemos ver nestes momentos o quão intimamente está ligada Nossa Senhora a seu Filho Jesus, pois quando buscamos a Virgem Maria, sempre encontraremos Jesus, assim como Ela estava com Ele em seus braços nos jubilosos primeiros dias de vida, também O teve em seus braços na tristeza da morte na cruz, pois como diz são Luís Maria Grignion de Montfort em seu livro o tratado da verdadeira devoção, Maria está tão ligada a Jesus que é mais fácil separar a luz do sol do que separar Jesus de Maria.


    Este mesmo Jesus que os reis magos adoraram está presente de forma real em todos os sacrários do mundo, desde a maior catedral até a mais simples capela, e em toda missa que participamos. Como se já não fosse suficiente estarmos diante da presença física de Jesus, Ele também vem até nós no momento da comunhão. Neste momentos devemos nos portar como os reis magos, devemos nos ajoelhar para receber o Rei dos reis, após isso devemos adorar, Ele está dentro de nós neste momento e fazendo esta adoração devemos também entregar nosso presente mais valioso que temos, entregar para Jesus nossas vidas, para que Ele faça conforme Sua vontade. 


    Que possamos tirar desta passagem este ensinamento para que melhoremos a forma que nos portamos diante de Jesus, assim como fizeram os reis magos, e que possamos pedir a Virgem Maria que nos ensine a amar Jesus como Ela o amou, pois somente assim poderemos crescer em graça e caminhar em direção a estrela de Belém.


sexta-feira, 3 de novembro de 2023

A presença gnóstica no mundo moderno

 



 O mundo moderno tem se mostrado cada vez mais próximo de um verdadeiro manicômio, a loucura está generalizada e as pessoas já não se importam com a verdade ou realidade que se apresenta. A verdade é que a era das luzes e o amor incondicionado a razão enlouqueceu o mundo, como diria G. K. Chesterton:

 

"Aceitar tudo é um exercício, entender tudo é uma tensão. O poeta apenas deseja a exaltação e a expansão, um mundo em que ele possa se expandir. O poeta apenas pede para pôr a cabeça nos céus. O lógico é que procura pôr os céus dentro de sua cabeça. E é a cabeça que se estilhaça." (...) "A imaginação não gera a insanidade. O que gera a insanidade é exatamente a razão. Os poetas não enlouquecem; mas os jogadores de xadrez sim."

 

A verdade é que a ciência moderna e todo o conhecimento moderno perece em erros básicos e grosseiros que uma simples volta ao estudo da cosmovisão medieval poderia corrigir. Mas não é este o tema agora. A questão é que o mundo está mergulhado em ideologias e teorias cada vez mais complexas que buscam entender e salvar o homem, e gostaria hoje de explicar uma das raízes disto, o gnosticismo.

Devemos partir do problema principal do qual a gnose se ocupa em responder, que é o sofrimento humano. Eles a viam como uma coisa universalmente disseminada e reconhecível no seio da humanidade, e não há erro nesta percepção. A oração católica "Salve Rainha" já apresenta esta realidade no trecho "A vós suspiramos gemendo e chorando neste vale de lágrimas", ou seja, neste mundo o sofrimento é inevitável e todos os homens o conhecem em alguma medida.

No entanto existe uma diferença essencial na forma como o mal se estabeleceu no mundo entre a visão cristã e a visão gnóstica. O cristianismo crê que o episódio da queda é o momento no qual o mal entrou no mundo, ou seja, a sugestão diabólica e a vontade deliberada humana levaram o gênero humano a queda e, portanto, ao estado de sofrimento que nos encontramos. O mal neste caso é fruto, em suma, da ação humana.

Já o gnosticismo entende que o mal, e portanto o sofrimento, decorre da ação maligna de um deus - demiurgo - o criador deste mundo, que nos prendeu neste mundo contrariando a vontade do deus supremo - que é imaculado e puramente espiritual. Este deus supremo não tem contato com este mundo a não ser por meio de seus mensageiros, dos quais recebemos o conhecimento de que o universo inteiro é pura degradação e nunca foi bom, fruto de uma "traição" praticada por um deus menor contra um deus maior. Ou seja o mau é fruto de fatores alheios ao homem.

Creem os gnósticos que os homens preexistiam à esta prisão, ou seja, existíamos em algum plano superior sem mal algum e caímos para este plano no qual fomos aprisionados pelo deus maligno. Com base nestes "conhecimentos" os gnósticos buscam libertar-se desta prisão para voltar ao estado original de puro espírito em um plano superior. Para resolver este problema existem muitas escolas com formas variadas e práticas mais ou menos diferentes, mas em geral a ideia é sempre destruir este mundo, ao menos a auto destruição ou a destruição daquilo que está ao alcance.

Os cátaros, por exemplo, abominavam o casamento e a reprodução, pois consideravam este mundo uma prisão e, portanto, reproduzir e "trazer" mais almas para esta prisão era algo ruim (curiosamente ideia parecida permeia a sociedade moderna).

Importante destacar que ver o mundo como um mal é um exagero e uma grande metonímia, afinal, apesar dos grandes sofrimentos enfrentados pelos homens ainda vemos o bem presente neste mundo, os homens são capazes de fazer boas coisas e é justamente aí que há uma divergência essencial entre o cristianismo e o gnosticismo, pois para o cristão o mundo não é mal,  ele é bom em essência mas o mal está presente nele mas não o comprometendo como um todo.

 

Gnosticismo na tradição de pensamento ocidental

 


A partir do século XVIII podemos notar a influência fortíssima do pensamento gnóstico, começando pela busca de um mal que está para além do ser humano, para além da responsabilidade humana. Jean Jacques Roussau diz que "o homem é bom por natureza, mas a sociedade o corrompe", neste ponto já vemos a inversão do pensamento cristão, pois o mal não é mais fruto da ação humana, mas se torna fruto de algo alheio ao homem em essência. Émile Durkheim, sob forte influência do pensamento comteano, cria a aquilo que conhecemos hoje por sociologia com o estudo daquilo que denominou de fatos sociais, sob duas características: eles são externos ao indivíduo e possuem poder coercitivo sobre o indivíduo (por exemplo o poder da lei).

No entanto o que fica obscuro ou relegado é que as leis, por exemplo, são frutos da ação humana acumuladas ao longo do tempo, ou seja, em última análise é fruto da vontade humana. Não são fatores externos e alheios aos homens, mas decorrem deles e de suas ações. Portanto não existe uma força extra humana que nos força o mal, mas há sim uma força extra humana que nos sugere o mal.

O problema aqui é que as leis humanas, sejam de ordem moral, legal, costumeira e etc, todas decorrem da vontade de um ou mais indivíduos, que acumuladas no decorrer do tempo foram se complexificando, mas sempre decorrente da vontade de sujeitos reais. Tomemos por exemplo o código de Hamurabi, ele surgiu em decorrência da vontade de alguém (provavelmente o próprio rei Hamurabi) e este códice influenciou outros sistemas legais e por ai vai.

Importante destacar que entre os homens é possível perceber uma diferença de poder abissal, muito diferente do que ocorre entre os animais. Um tigre pode ser mais forte que outro tigre, no entanto, ele não pode vencer dez tigres de uma vez. Entre os homens isto é possível e ocorre sempre, um único juiz pode prender milhares de homens, um ditador pode dizimar uma população inteira. A própria beleza feminina pode ser tida como uma espécie de poder, a mulher dotada de mais beleza tem muito mais poder e influência sobre os indivíduos do que aquela tida como feia.

Karl Marx, por exemplo, acredita que existe uma dialética histórica que funciona e age por si, "existe a natureza material, as necessidades humanas que precisam ser atendidas e em função das quais o homem transforma o ambiente natural, segundo Marx o homem se humaniza neste processo. Dito em outras palavras a natureza humana é fruto do trabalho exercido em cima da natureza. Este jogo é inescapável e coercitivo.

Podemos ver retrato semelhante nos estudos de Sigmund Freud que em suma nos diz que tudo que nos acontece é fruto de uma estrutura psíquica que nos foi imposta (id, ego e super ego).

Kant diz que só podemos conhecer aquilo que é coproporcional à nossa estrutura cognitiva, assim como há certas vibrações sonoras que nós não captamos e um cachorro capta. Ou seja, o homem está solto em um universo que lhe é inacessível.

Nestes exemplos vemos que tudo que ocorre é fruto de uma imposição externa, são fatores determinantes que escapam à vontade humana, e isto faz com que os homens modernos alimentem a revolta gnóstica, tal qual os antigos hereges, pois o homem ai está preso dentro de um mundo infernal (sociedade, linguagens, estruturas mentais, estruturas de conhecimento e etc.).

Isso dissolve a responsabilidade e vontade individual pois tudo decorre de fatores alheios ao homem. Deste pensamento, por exemplo, decorre a ideia de que os crimes são causados pela pobreza ou forças sociais e não pela decisão concreta de um homem que decidiu praticar o crime. Neste mesmo caminho vamos ver políticas públicas, debates acadêmicos e agendas internacionais, todos uníssonos em estudar e tratar problemas inexistentes ou, ao menos, enfocados de maneira errônea.

Fica claro, portanto, que o gnosticismo é a grande "força secreta" do mundo moderno. A cosmovisão do homem moderno está eivada deste pensamento, as ideologias modernas, linguagem neutra, decisões políticas e a própria ciência, tudo está viciado com esta ideia. É uma cosmovisão extremamente pobre que limita a capacidade cognitiva do homem, é a sanha do conhecimento racional que impede o conhecimento real.

 


segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

Senhor, eu te amo!

    


    No dia 31 de dezembro de 2022 recebemos a triste notícia de que nosso querido Papa Bento XVI havia falecido, e já em seu leito suas últimas palavras pronunciadas foram, “Senhor, eu te amo!”, palavras de um Santo na hora de sua morte. O Papa Bento faleceu aos 95 anos de idade, um grande homem que vinha sustentando a Igreja com suas orações.

    Um dos maiores teólogos da atualidade, o papa Bento deixou um legado de conteúdos para nos aprofundarmos no conhecimento da doutrina de nossa fé, ele que fora amigo próximo do Papa São João Paulo II. 

    Me lembro quando faleceu o Papa São João Paulo II e pouco tempo depois o Papa Bento XVI assumiu o trono de Pedro. Na época eu era apenas mais um jovem atoa, com apenas onze anos de idade, embora de uma família católica, não tinha tanta ciência da importância do Papa. Minha lembrança é por conta do nome escolhido, que é o mesmo do sobrenome de minha família, portanto todas as vezes em que nos reunimos conversávamos sobre o novo Papa.


    Durante o seu pontificado foi um período em que eu particularmente não me importava com a religião, quando o Papa renunciou seu cargo em 2012 eu não entendi muito bem o que aconteceu, e foi somente a partir de 2015 que eu comecei a me aproximar novamente da Igreja, nesta época o Papa Francisco já era o pontífice. 


    Hoje vejo o quão importante o Papa Bento XVI foi para toda a Igreja de Cristo, pois o Papa Bento combateu com muita veemência a teologia da libertação, suportou muitos ataques que por muitas vezes advinham de dentro da própria Igreja, resgatou costumes que haviam sido deixados de lados, escreveu muitos livros e encíclicas com conteúdos teológicos que são tesouros de nossa Igreja, dos quais serão estudados em muitos seminários.


    Além de todo o conhecimento teológico, o Papa Bento também era um homem de muita fé e muito humilde, embora há quem diga ao contrário por conta dos belos paramentos que ele usava, pessoas essas ignorantes. 


    Finalizamos o ano de 2022 com um pouco de tristeza por conta desta grande perda, porém iniciamos o ano de 2023 com mais um grande intercessor no céu, que agora ao lado de seu grande amigo São João Paulo II e também ao lado da doce Virgem Maria, olha por nós que estamos neste mundo, pois se em vida ele já fez muito pela Igreja, agora no Céu o fará muito mais. 


    Que possamos rezar a Nossa Senhora para que o processo de canonização do Papa Bento XVI ocorra o mais breve possível, para que assim ele seja reconhecido pela Igreja como Santo. Enquanto isso, que possamos fazer nossas orações privadas pedindo a ajuda dele nas dificuldades pelas quais estamos passando. 


domingo, 27 de novembro de 2022

Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós!

    


    Paris, 27 de novembro de 1830, no convento das Filhas da Caridade, a jovem Catarina Labouré em meio a sua meditação vespertina recebe a aparição de uma linda mulher vestida de seda branca, um véu branco que desce até a barra de seu vestido, com Seus pés apoiados sobre a metade de um globo, esmagando uma serpente, suas mãos erguidas à altura do peito segura um globo de ouro com uma cruz em cima, seus olhos voltados para o céu e em seus dedos anéis formidáveis incrustado de belíssimas pedras preciosas, das quais saíam raios para todos os lados. Esta Mulher era a Virgem Maria, que apareceu para a mesma jovem alguns meses atrás, onde apresentou as grandes calamidades e perseguições que estavam por vir na França. Logo após, formou-se em torno da Virgem Maria um quadro oval no alto, na qual estavam escritas em letras de ouro: “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós!”.

    Nossa Senhora pediu então à jovem Catarina que fossem cunhadas medalhas, conforme as visões concedidas a ela. Medalha esta que ficou conhecida como a “Medalha milagrosa”, embora a medalha cunhada não foi da forma descrita pela Catarina ao seu confessor, Nossa Senhora aprovou que fosse mantida daquela forma, e assim foi distribuída, com aprovação eclesiástica, inicialmente na França e logo se tornou conhecida pelo mundo inteiro, assim como os milagres e graças concedidos por Nossa Senhora, pois conforme Ela mesmo prometeu àqueles que devotamente usassem sua medalha: “Todos os que usarem, trazendo-a em seu pescoço , receberão grandes graças”, tonando assim conhecida sob o título de Nossa Senhora das Graças, ou Nossa Senhora da Medalha Milagrosa.  

    Catarina, ao ver os anéis nas mãos de Nossa Senhora, saindo os raios das pedras, notou que alguns anéis estavam apagados, e então perguntou à Virgem Maria o motivo, neste momento ela teve a resposta: “São graças que vocês ainda não pediram, mas deveriam pedir”.


    Nossa Senhora, como toda boa mãe, vem até nós utilizando da pequena e humilde Catarina para nos ensinar que devemos pedir as graças que ainda não pedimos, pois estas graças serão alcançadas por aqueles que creem. Neste momento podemos pensar em diversas graças, como a cura de uma doença, um emprego, uma casa, dentre muitas outras, que são graças que devem ser pedidas sim, porém a graça que devemos mais almejar nesta vida é a graça da salvação eterna, pois como diz as escrituras: “Pois que aproveitará ao homem ganhar o Mundo inteiro se perder a sua alma?” (Marcos 8, 36). Portanto devemos olhar para as graças que estamos pedindo e pedir também, acima de tudo, a graça de sermos santos, assim como Santa Catarina Labouré e tantos outros Santos de nossa amada Igreja Católica. 


    Que Nossa Senhora, sob o título de Nossa Senhora das Graças, possa nos ajudar a alcançar a maior graça que Deus poderia nos dar, a salvação eterna de nossa alma.


quinta-feira, 14 de abril de 2022

A Paixão de Cristo

  

Sexta-feira da Paixão, dia que para nós católicos deve ser de total recolhimento, pois buscamos meditar em cada um dos sofrimentos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Jesus padeceu para a remissão de nossos pecados, e assim nos concedeu o caminho para a vida eterna em sua glória. Neste dia buscamos lembrar do sofrimento que Ele passou por amor à esta humanidade miserável. Deus Misericordioso então enviou seu próprio Filho para nos mostrar o caminho pelo qual devemos seguir. 

    Olhando para a cruz vemos um dos aspectos de como é a vida cristã, pois como o próprio Senhor nos diz “Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me.” (Mateus 16,24) Portanto deveríamos como Jesus, carregar a nossa própria cruz e segui-lo. Porém, o que acontece é que muitas vezes queremos seguir a Jesus sem a cruz, ter uma vida somente de coisas boas e nada de sofrimentos. Mas se é o próprio Jesus quem nos pede para pegarmos nossa cruz para segui-lo e Ele próprio carrega a sua cruz até o calvário, como poderemos nós querer segui-lo sem a cruz? 

Podemos, com Santo Agostinho, dizer: “Senhor, é duro Te seguir, mas é impossível te deixar”, ou seja, devemos nos portar diante deste caminho com uma santa resignação, pois ela nos levará para o céu. Quando olhamos para a passagem do evangelho onde Jesus, do alto da cruz agonizando de dor, vê sua mãe próxima do discípulo que amava e então Ele diz: “Mulher, eis aí o teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí a tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa.” (João 19, 26-27), Neste momento, Jesus se lembrando dos seus, deixa sua mãe como nossa mãe, e neste caminho de sofrimento ao qual devemos carregar a nossa cruz, ninguém melhor do que aquela que tendo uma espada transpassada em sua alma para vir em nosso auxílio.

    Nossa Senhora esteve com Jesus até o último momento, sofrendo junto com ele: aquilo que Jesus sentia no corpo, a Virgem Maria sentia em sua alma. Ela, que é a maior de todas as criaturas, sabe exatamente como nos auxiliar, não tirando nossa cruz como muitos gostariam, mas abrandando o sofrimento, para que com isso possamos permanecer fielmente no caminho ensinado por Jesus, para que possamos seguir seus passos, mas com Sua Mãe nos guiando.

    Em seu livro Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem, São Luís Maria Grignion de Montfort nos ensina de forma perfeita a fazermos todas as nossas ações por Maria, com Maria, em Maria e para Maria, a fim de mais perfeitamente as fazer por Jesus, com Jesus, em Jesus e para Jesus.

    Que possamos neste dia, com a ajuda de Nossa Mãe Santíssima, viver e meditar a Paixão de Cristo, para que possamos no domingo da Páscoa celebrarmos com júbilo a ressurreição de Nosso Senhor. E que Nossa Senhora nos mostre o caminho que devemos seguir na estrada da salvação eterna. 

“Nada importa, exceto o Destino da Alma” - G. K. Chesterton.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

“Eu sou a Imaculada Conceição” - Lourdes, França 1854



"Não lhe prometo a felicidade neste mundo, mas lhe prometo no outro”, com esta frase, Nossa Senhora, em sua aparição em Lourdes para a jovem Bernadette, nos faz refletir sobre a nossa vida passageira nesta terra, onde somos chamados a servir e não a sermos servidos. 

No dia 11 de fevereiro de 1854, a pequena Bernadete, juntamente com sua irmã e uma amiga, andavam pelos bosques à procura de gravetos para a lareira. Andaram bastante até chegarem na gruta de Massabielle, local onde Bernadette nunca havia estado. Enquanto as outras meninas atravessaram o rio e adentraram na gruta, Bernadete que se preparava para fazer o mesmo, quando ouviu um barulho, olhou para trás e não viu nada, continuou a se preparar quando ouviu novamente o mesmo barulho, desta vez ela olhou para a gruta, onde viu uma linda senhora toda de branco, seu vestido branco com um cinto azul e uma rosa amarela sobre cada pé. 


Após a primeira aparição, Nossa Senhora aparece mais 17 vezes no mesmo local para Bernadette. Em uma de suas aparições ela se apresenta e diz “Eu sou a Imaculada Conceição”, o que confirmava o dogma proclamado pelo papa Pio IX quatro anos antes. 


Bernadette era uma criança que vinha de uma família muito pobre e por isso teve pouca oportunidade de estudar. A pequena desejava fazer a primeira comunhão, mas devido às dificuldades financeiras dos pais e também à sua saúde muito fragilizada não conseguia participar das aulas de catecismo, mas ela se mantinha firma na sua devoção, e rezava todos os dias o seu rosário, uma das poucas orações que conhecia.


No local onde Nossa Senhora apareceu surgiu uma nascente de água. Aqueles que estavam com alguma enfermidade, cuja a esperança de cura por meios médicos era nula, recorriam para tomar a água que jorrava da fonte e com isso Nossa Senhora lhes concedia a cura. Milhares de pessoas foram curadas com a água desta gruta, com exceção da pequena Bernadette que levou sua doença até o final de sua vida, aos 35 anos. 


Ao ser questionada por que Nossa Senhora não a curou, ela respondeu “Talvez a Santíssima Virgem queira que eu sofra”, assim a menina simples e humilde ofereceu seu sofrimento até o momento de sua morte, a qual recebeu com imensa gratidão, pois como ela havia dito: “Encontrar-me-ei junto ao rochedo que tanto amo” e assim ela foi ao encontro de Nossa amada Mãe e de Seu Filho no Céu. 


Recomendo-lhes que conheçam mais detalhadamente esta história de humildade e amor que resumi acima, pois há muita riqueza que em poucas linhas não é possível transpor, porém a intensão deste artigo foi mostrar como devemos receber essa mensagem. Quando olhamos para a mensagem que Nossa Senhora trouxe vemos que Ela quer nos dar a alegria da vida eterna, mas que para isso precisamos sofrer neste mundo, ao qual estamos somente de passagem. Quando olhamos para uma menina de 13 anos, com pouco estudo e saúde frágil, vemos a grandeza que é servir a Deus, pois quando Bernadette entrega todo o seu sofrimento a Deus, ela nos ensina a “Amar a Deus sobre todas as coisas”.  


Que possamos pedir a Nossa Senhora de Lourdes a sua intercessão para que assim como Santa Bernadette se entregou a Deus, nós possamos também nos entregarmos a Ele para participar da alegria da vida eterna.  


Ora pro nobis, sancta Dei Genitrix. Ut digni efficiamur promissionibus Christi.


quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

TRIVIUM - A capacidade de pensar

  


    Na idade média, época que os ensinos eram realizados pela Igreja Católica, tinham se muita preocupação com a busca contínua pela verdade, mas para isso era necessário ensinar as crianças a pensarem por si próprias com bases nas informações que recebiam do mundo, e terem a capacidade de distinguir a verdade da mentira, a realidade da fantasia e assim por diante. Tendo essa preocupação, desde a mais tenra idade era iniciado com os jovens a um ensino baseado num método de ensino focado na linguagem, tendo como base os conceitos do grande filósofo grego, Aristóteles. Nasce então o Trívium    

    O Trivium juntamente com o Quadrivium comporta as setes artes liberais, sendo elas Gramática, Retórica e Dialética para o Trivium e Aritmética, Música, Geometria e Astronomia para o Quadrivium, sendo elas necessárias para o desenvolvimento do intelecto do homem.
    Pois bem, neste artigo me limitarei a falar somente sobre o Trivium, deixando o Quadrivium para um outro momento mais oportuno. 

    O Trivium tem por base a gramática, sendo através desta que desenvolvemos a comunicação por meio da linguagem, utilizando da forma correta para que compreendamos corretamente as informações recebidas e que também seja capaz de transmitir a informação desejada de maneira adequada para que seu entendimento seja pleno. Segundo Miriam Joseph em seu livro “O Trivium”, a gramática é “A arte de inventar símbolos e combiná-los para expressar pensamento”. Portanto é a partir da gramática que se entende e é entendido.

    A Retórica tem por sua finalidade absorver as informações recebidas através da gramática e com isso formular a sua ideia, seria a capacidade de organizar seus pensamentos de modo ordenado a fim de utilizar sempre o melhor argumento dentre todos, para que sua fala tenha maior propriedade e seja capaz de argumentar. 

    Por fim temos a Dialética, que utiliza da lógica para comparar se o que está sendo dito é real ou não, ela proporciona a capacidade de pensar e distinguir a realidade, evitando assim a confusão de seus próprios pensamentos, diferenciando os fatos das fantasias que podem surgir.

    Portanto o Trivium é o conjunto de três artes das quais uma completa a outra, sendo a gramática para receber a informação, a retórica para ordenar essas informações, a dialética para identificar a verdade e de volta a gramática para se expressar com sua opinião, formando então o Trivium.  

    Conforme informações acima citadas me questiono o porquê de não utilizar-se este método em nossas escolas. Seria um método antiquado? ou será que não querem que nossos jovens aprendam a pensar sozinhos? Independente do motivo, a não utilização deste método limita as nossas crianças a apenas repetirem como papagaios o que lhes é passado, não tendo a capacidade de pensar sozinhas, podendo futuramente serem influenciadas pela vontade dos que estão ao seu redor. 

    Com isso concluo que nossa base de ensino, da forma em que é moldada atualmente, não nos dá conhecimento suficiente, e muito menos nos ensinam a buscá-lo, tornando limitada nossa capacidade como ser pensante. 


A primeira adoração

     Hoje, celebramos a Epifania do Senhor, e eu gostaria de fazer uma breve meditação sobre esta passagem do Evangelho. Quando os três reis...